Preservação cultural da gastronomia amazônica e Modismos


Hanna Arendet (1906- 1975) filosofa alemã em sua obra literária ENTRE O PASSADO E O FUTURO afirma que o grande problema a ser resolvido no mundo contemporâneo é a crise dos conceitos, que cria a ideia de que qualquer coisa pode ser qualquer coisa e consequentemente destrói o conceito de autoridade. Atualmente a gastronomia amazônica vem sendo duramente atingida por essa crise conceitual que em nome de infinitas ¨releituras¨ e ¨poder de criação¨ fazem de nossos pratos típicos verdadeiras gororobas desprovidas de qualquer harmonia de paladar e sem qualquer preocupação em preservar suas essências .

 

A gastronomia amazônica passou a ser conhecida e saudada como uma das melhores do mundo a partir de seus insumos e sua originalidade juntamente com suas técnicas de cocção, postas em uma perfeita harmonia de sabores. Mas o que nós presenciamos hoje em dia  em termos de gastronomia amazônica é um processo de perda de identidade. No afã de se fazer uma dita valorização, divulgação e consolidação da gastronomia amazônica mas que na verdade atendem aos modismos e a questões econômicas se cometem verdadeiras atrocidades gastronômicas ainda mais quando se acredita na falácia de que qualquer pessoas pode fazer qualquer coisa com a gastronomia daí surgem os arquitetos ,engenheiros, médicos e curiosos gastronômicos com suas criações e releituras ¨criativas a nos oferecer variçoba (vatapá e maniçoba) tacacá congelado, maniçoba vegana, tucupi sólido¨... entre muitos outros.

A gastronomia amazônica é secular e conceitual não pode ser apresentada e muito menos manipulada por modismos. É preciso que ela seja vista verdadeiramente como patrimônio imaterial do povo brasileiro e mais ainda como sendo da amazônia, do contrário teremos em breve uma gastronomia amazônica totalmente desfigurada, esfacelada e passaremos a ter uma infinidade de  pseudo gastronomia amazônica.