Gastronomia amazônica muito além do prato


Se é verdade que a gastronomia francesa tem a receita como seu forte, mais verdade ainda é afirmar gastronomia amazônica tem no seu forte os ingredientes. Ervas como o jambu, que adormece a boca; sementes como puxuri, cujo o gosto se assemelha a de uma noz-moscada; o cumaru, a nossa baunilha brasileira, além, é claro, dos frutos nativos como o taperebá, o camu-camu e o cupuaçu que são alguns dos ingredientes que se juntam a muitos outros que só são encontrados na Amazônia.

 

A gastronomia amazônica,  embora tenha conquistado o Brasil, chama atenção justamente por manter a sua autenticidade regional e por propor retorno às origens ancestrais, posto que sua base são as tradições indígenas milenares. A grande questão e desafio da gastronomia amazônica é manter sua originalidade dentro de um processo de crescimento e expansão pelo mundo, missão bastante difícil pela globalização, em que os conceitos mudam ao

bel-prazer de seu criador e as coisas acabam perdendo o valor. Esse e o preço que se paga ao colocarmos para o mundo a gastronomia amazônica; o surgimento de pratos ditos amazônicos, mas que, na verdade, violam a própria cultura amazônica.

 

Falar, por exemplo, em maniçoba vegana, entre outras invenções, é modices e desrespeito a toda história e cultura da nossa rica gastronomia amazônica. Melhor, e mais correto, seria falar “maniçoba fake vaga na”, pois, se assim não o for colocada, estaremos diante de uma flagrante apropriação indébita de patrimônio imaterial da humanidade. Vale aqui lembrar que a cidade de Belém é a maior da região amazônica e pertence ao seleto grupo de cidades que carregam o título de cidade criativa da gastronomia, título dado pela Unesco as cidades que entre outras coisas contribuem para conservação e difusão de uma gastronomia autêntica, criativa e sustentável .Mais do que temperos a nossa comida é carregada de história, história dos vários povos que compõem a região amazônica e devem ser preservadas,e aí a gastronomia amazônica tem um papel essencial é fundamental para preservação dessa identidade.