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Farinha d'água é tradição paraense

Produto cultural vai bem com diferentes pratos e no saboroso pirão

Prefeito de Viseu, Isaias Neto, torrando farinha (Crédito da foto: Divulgação).

A farinha d'água é tradição na mesa dos paraenses. Fina, baguda, torrada ou macia, existe farinha para todos os gostos e finalidades. Ela vai bem no açaí; como acompanhamento no feijão, arroz e peixe frito; no caruru; no pirão; no chibé (mistura de água e farinha, geralmente consumida com carnes salgadas, camarão ou charque) ou até como mingau.

Feita da mandioca fermentada, a mais conhecida é a farinha de Bragança, que conquistou o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI). Mais do que reconhecimento dentro e fora do Estado, essa conquista estimula o desenvolvimento socioeconômico da região e melhora a vida dos produtores. Além de Bragança, os produtores das cidades de Augusto Corrêa, Santa Luzia do Pará, Viseu e Tracuateua também foram reconhecidos pela IG.

Segundo o prefeito de Viseu, Isaías Neto, a Indicação Geográfica da farinha de Bragança é resultado de muito trabalho e investimento. "A nossa alegria é muito grande. Esse selo certamente renova as nossas esperanças, pois é o reconhecimento de muito trabalho. É um resgate cultural e a nossa gestão faz parte desse processo com os investimentos que garantimos na agricultura familiar. Quero parabenizar todos os agricultores do nosso município por este reconhecimento de poder ter Viseu dentre os cinco municípios que ganharam o selo da farinha bragantina", disse.

Em um bom prato paraense a farinha não pode faltar. Chefs renomados não dispensam o sabor que ela dá. "A farinha é a base da nossa cultura. Conheço muitos tipos de farinha, viajo o Brasil e cada região tem seu tipo. Tem duas farinhas que são as melhores do Brasil. Uma é a de Bragança e a outra é do Rio Branco, no Acre, que também é uma farinha muito famosa e que rivaliza com a de Bragança. Eu uso a farinha no chibé. Dou palestras sobre o chibé. Também tem um prato tradicional da região: o pirarucu de casaca, em que se usa farinha”, explicou o chef Ofir Oliveira, sócio-fundador do Centro Cultural de Gastronomia Sabor Selvagem, no distrito de Icoaraci, em Belém.


Chef Ofir Oliveira (Crédito da foto: Arquivo pessoal).

Ofir explica um dos pratos que tem feito e como aprendeu a receita. “Tenho feito alguns pratos com pirão também. Eu trabalho o pirão dentro do que eu aprendi com a minha mãe e considero um prato tradicional. Se é um peixe, eu coloco a cabeça do peixe, fervo, faço um caldo, quebro ovo naquele caldo quente com o pedaço do peixe. Adiciono tanto camarão seco quanto fresco, os ovos e se faz o pirão escaldado. Depois coloco esse caldo em cima da farinha, logicamente que vira um pirão e você come aquilo sozinho ou acompanha a caldeirada”, contou o chef.

Com conhecimentos que adquiriu pelo mundo, Ofir dá aulas em universidades e palestras para outros chefes e donos de restaurantes. “Graças a Deus hoje nós (se referindo aos paraenses) somos referência nacional em cima do nosso trabalho. Já dei aula em Portugal para os doutores de Coimbra, coloco esse como um dos momentos mais importantes no meu trabalho como chef de cozinha e professor”, lembrou.

O chef não esconde o amor pela profissão. “A cozinha para mim é tudo. É minha vida. Eu, literalmente, vivo da culinária. São 24 horas do dia vivendo isso”, finalizou.


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