Personagens da Gastronomia: histórias de cozinheiros, identidades e o que une quem vive da cozinha
- Edivaldo Cordeiro

- 26 de mar.
- 3 min de leitura

A gastronomia é feita por pessoas. Mais do que técnicas ou receitas, ela se constrói a partir de trajetórias, escolhas e significados. Ao ouvir três profissionais, amigos e pessoas que tenho admiração e com quem aprendi e fizeram parte da minha história. Edson Freitas, Jonas Moreira e Paulo Pereira, fica evidente que, embora cada um trilhe um caminho único, há pontos de encontro profundos que ajudam a entender o papel da gastronomia na vida de quem a vive intensamente.
O que a gastronomia representa entre profissão, identidade e filosofia?
Para Edson Freitas, a gastronomia é uma linha contínua que atravessa sua vida profissional há quase três décadas. Hoje na panificação, ele enxerga nela a materialização de sua trajetória, aprendizado e evolução.
Jonas Moreira amplia esse olhar ao definir a gastronomia como amor, memória, cultura e identidade. Para ele, cozinhar é criar pontes entre passado e presente, transformando ingredientes simples em experiências emocionais que conectam pessoas.
Já Paulo Pereira traz uma visão ainda mais existencial: a gastronomia como filosofia de vida.
Mais do que profissão, ela representa uma parte significativa de quem ele é, uma presença constante que orienta suas ações e decisões.
Em comum, os três revelam que a gastronomia vai muito além do prato. Ela é identidade, trajetória e, sobretudo, uma forma de se posicionar no mundo.
O segredo que não está na receita!
Quando a pergunta sai do papel e entra no campo subjetivo, as respostas convergem de forma ainda mais clara.

Edson destaca a personalidade como fator decisivo. Jonas aponta a paixão e o amor pelo que se faz, comparando o ato de cozinhar a uma alquimia. Paulo reforça a importância da presença total, estando inteiro no processo.
O ponto em comum é evidente: o diferencial não está nos ingredientes, mas no cozinheiro.
Personalidade, paixão e entrega são elementos invisíveis, mas determinantes no resultado final.
O que fala sobre valorização profissional? É um desafio coletivo e individual?
Ao falar sobre valorização, surgem diferentes perspectivas que se complementam.
Edson acredita que o reconhecimento passa pelo consumidor, quanto mais conhecimento sobre gastronomia, maior a valorização do profissional.
Jonas amplia o debate para o ambiente de trabalho, defendendo mudanças estruturais: melhores condições, gestão eficiente e respeito aos limites humanos.
Paulo, por sua vez, traz a reflexão para o campo individual, destacando a importância do próprio profissional se reconhecer e se valorizar.
A convergência aqui revela um sistema interdependente: valorização exige consciência do público, mudanças no mercado e, também, fortalecimento interno de quem exerce a profissão.
Identidade no prato, os ingredientes escolhidos pelos chefs traduzem suas origens e reforçam o vínculo com o território.
Edson destaca o açaí, o tucupi, o jambu e o cupuaçu como inegociáveis, símbolos da essência paraense. Jonas valoriza o filhote, peixe amazônico de prestígio, delicado e representativo da região. Paulo aponta a mandioca como base fundamental, matriz de inúmeros produtos que atravessam gerações.
O elo comum é claro: a gastronomia é território.
Os ingredientes locais não são apenas insumos, mas narrativas vivas da cultura e da história.
Perdi a eles para escolher uma receita que representa sua história na gastronomia. Quando convidados a escolher uma receita representativa, cada profissional revela um pedaço da própria trajetória.
Edson relembra uma salada de camarão com abacate, presente por anos em seu trabalho com buffet. Jonas traz o filhote grelhado com manteiga e chicória e arroz cremoso com jambu, prato recorrente em seus cardápios. Paulo aposta no clássico filé mignon com molho e farofa, preparação na qual se destaca e se reconhece.
O ponto de encontro está na memória construída pela prática. Não são apenas receitas, mas marcos de identidade profissional, pratos que carregam reconhecimento, repetição e afeto.
O que une quem vive a gastronomia?
Apesar das diferenças de trajetória, linguagem e especialidade, há uma essência comum entre esses personagens:
A gastronomia como extensão da vida.
O fator humano como principal ingrediente
A valorização como um processo coletivo.
O território como base da identidade culinária
A memória como elemento central na construção profissional.
No fim, cozinhar não é apenas preparar alimentos. É contar histórias, afirmar origens e construir legados.
Um prato de cada vez.
Obrigado a todos por esse tempo de leitura, especialmente a eles que me presentearam com todo ensinamento, parceria de trabalho e pelo tempo dedicado a esse texto.
A gastronomia para mim é feita de grandes histórias, momentos e identidade.




Parabéns pela coluna Cheff, feliz em compartilhar experiências e histórias da gastronomia!! 🥂
Texto com excelente colocação. Profissionais , ingredientes regionais e maestria na arte de transformar sabores amazônicos em experiência únicas. Parabéns
Pra mim foi muito gratificante muito obrigado por lembrar de mim que deus abençoe grandemente