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Tempero que valoriza o paladar regional

Atualizado: 27 de abr.

Com seus diferentes aromas e sabores, a pimenta ajuda a dar vida aos pratos paraenses

Geleia de tucupi com pimenta cumari é um produto do Toró Gastronomia Sustentável (Crédito da foto: Tv Platô).

Tempero indispensável na cozinha do paraense, a pimenta é vendida em forma de fruto, semente ou condimento, e possui um sabor geralmente ardido. Alguns exemplos conhecidos são a pimenta do reino, a pimenta malagueta, a pimenta calabresa e a pimenta dedo de moça.


Por ter muitas espécies diferentes, a pimenta também pode ser menos picante e mais adocicada ou aromática, como a pimenta biquinho, o pimentão e a pimenta de cheiro. Na gastronomia paraense, temos a pimenta cumari do Pará, fruto arredondado e amarelo usado principalmente em conservas, considerada picante e de aroma intenso.


De acordo com o chef Wagner Vieira, Chef e fundador do Toró Gastronomia Sustentável, a pimenta é um ingrediente essencial que agrega várias preparações típicas da Amazônia, em particular da Amazônia paraense, onde é usada em caldos, vinagretes, molhos e como acompanhamentos de peixes e carnes. Wagner afirma que as formas mais comuns de consumir a pimenta são frescas ou em conservas de óleo e vinagre. “No Pará, somos familiarizados com a pimenta de cheiro, que é uma designação comum a inúmeras variedades de pimenta que apresentam cores e formatos diferentes, todas caracterizadas por uma baixa picância e forte aroma”, explicou.


Outros tipos de consumo, segundo Wagner, são as pimentas desidratadas, cruas em pedaços, líquidas ou moídas. “O consumo da pimenta é amplo. Ela é considerada por muitas pessoas indispensável nos peixes e frutos do mar, além de ser superindicada para temperos de salada. Aqui no Norte ela acompanha vários pratos tradicionais, como o tacacá, o pato no tucupi e a caldeirada. Também tem quem consuma em algumas receitas doces”, disse o chef.


Chef Wagner Vieira (Crédito: Divulgação).

Wagner informa que uma curiosidade interessante sobre a pimenta é que no Pará existe uma iguaria produzida artesanalmente pelos indígenas Wai Wai: a pimenta em pó, feita a partir de uma variedade de pimentas, como pimenta cereja, cabecinha, malagueta e cumari, que eles mesmos cultivam em suas roças e quintais nas aldeias.


Além do potencial culinário, a pimenta também atrai o interesse das pessoas por apresentar benefícios à saúde. “A pimenta é rica em capsaicina, um poderoso antioxidante e anti-inflamatório que ajuda a melhorar a digestão, aliviar a dor, regular os níveis glicêmicos e o colesterol. Além disso, muito se fala sobre o seu poder termogênico, podendo auxiliar na diminuição do acúmulo de gordura e na perda de peso”, informou a nutricionista Samara Queiroz.

Nutricionista Samara Queiroz fala sobre os benefícios da pimenta para a saúde (Crédito da foto: arquivo pessoal).

Com relação ao preparo, a melhor forma de consumi-la é fresca, para poder usufruir melhor de todos os nutrientes, Samara afirma. “Pode ser consumida ainda na forma de molhos, desidratadas, páprica e dessecadas, mas parte dos nutrientes, como as vitaminas, podem ser perdidas nesse processo”, revelou.


A geleia de tucupi com pimenta cumari do Pará, receita a ser apresentada a seguir, foi criada pelo chef Wagner Vieira. É agridoce e acompanha bem petiscos, aves, peixes e saladas. A receita não tem conservante nem corante. Deve ser conservada na geladeira.


Geleia de tucupi com pimenta cumari do Pará


Ingredientes: Tucupi 100% natural, pimenta cumari do Pará, açúcar orgânico e pectina natural de maracujá.


Modo de preparo: Para fazer a pectina, basta cozinhar o maracujá e retirar a polpa quando estiver branca. Colocar no liquidificador a pectina e acrescentar o tucupi cozido. Bater até ficar homogêneo e devolver para o fogo. Picar a pimenta e acrescentar na mistura. Deixar ferver e retirar a espuma. Colocar açúcar.