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Adeline Chefia: a força das raízes, o sabor da resistência e o futuro da gastronomia brasileira

Crédito da foto: Arquivo pessoal.
Crédito da foto: Arquivo pessoal.

Por décadas, a gastronomia foi associada ao luxo, ao requinte e a pratos que pareciam distantes da realidade cotidiana. Mas há quem esteja reescrevendo essa narrativa com afeto, consciência e propósito. Adeline Chefia, educadora e especialista em Gastronomia Contemporânea, é uma dessas vozes que, com voz firme e mãos calejadas de história, leva aos alunos e ao público a ideia de que cozinhar é mais do que preparar alimentos — é um ato de resistência.


A paixão de Adeline pela cozinha nasceu ainda na infância, na chácara onde viveu até os seis anos. Sua primeira mestre não foi uma chef estrelada, mas a “Avó Preta”, Dona Sebastiana, vizinha generosa que lhe ensinou o básico da cozinha. Aos 8 anos, enquanto a mãe trabalhava, já improvisava receitas para ajudar em casa. Na adolescência, vieram os experimentos e, entre os 18 e 26 anos, a sorte de ser guiada pela amiga Margareth Valente, cuja habilidade com pescados a marcou profundamente.

Crédito da foto: Arquivo pessoal.
Crédito da foto: Arquivo pessoal.

Hoje, Adeline leva essa bagagem para a sala de aula. Pós-graduada em Gastronomia Contemporânea, ministra cursos em duas escolas e treinamentos diversos. Mas é no universo das PANCS (Plantas Alimentícias Não Convencionais) que sua voz encontra ainda mais força.

“Venho da roça e sempre gostei de verduras e legumes. As PANCS são remédios naturais que a terra nos oferece, muitas vezes nascendo espontaneamente. Elas mostram como a natureza é resistente e autossuficiente”, explica.


Para ela, o futuro da alimentação passa pela reconexão com a terra e pelo rompimento da dependência dos ultraprocessados. “Cozinhar é um manifesto silencioso. É escolher o que vai no prato, honrar a história que ele carrega. É reduzir a dependência de grandes corporações e valorizar a agricultura familiar.”

Crédito ds foto: Arquivo pessoal.
Crédito ds foto: Arquivo pessoal.

Mas o caminho não é fácil. Adeline enfrenta resistências e preconceitos, tanto dentro quanto fora da gastronomia. “Há quem ache que planta que nasce sozinha na horta é erva daninha. As pessoas estão tão afastadas da terra que não reconhecem nem verduras e legumes comuns, imagine as PANCS.”


Ainda assim, a educadora garante que a transformação é possível — e começa no paladar. “Meus alunos estranham no início, mas depois comem que nem dragões”, conta, rindo. Entre técnicas profissionais e “segredos de avó” compartilhados, Adeline preserva a cozinha afetiva e ancestral como um fio que costura memórias, identidade e sabor.


Para ela, valorizar ingredientes regionais não é apenas questão cultural, mas também econômica e de saúde pública. E vai além: a gastronomia, segundo Adeline, é ferramenta de transformação social, seja em ações comunitárias, seja no ensino de segurança alimentar e no aproveitamento total dos alimentos.

Crédito da foto: Arquivo pessoal.
Crédito da foto: Arquivo pessoal.

No fim da conversa, sua mensagem para quem está começando na área é simples e direta:

“Comece com suas raízes expostas, aposte na sua identidade e faça com amor. Não busque glamour nem aja com arrogância. Esse é o primeiro passo.”


Adeline Chefia não fala apenas sobre comida — fala sobre pertencimento, resistência e futuro. Um futuro que, para ela, tem cheiro de terra molhada, tempero da horta e sabor de verdade.

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