Carla Martine: a chef que transformou desafios em inspiração
- Gastronomia Paraense

- 27 de ago. de 2025
- 2 min de leitura

Na vida, algumas histórias parecem nascer do imprevisto. Outras, no entanto, carregam o peso das raízes e a força das escolhas. A trajetória da chef Carla Martine mistura ambos os elementos: tradição, herança cultural e coragem para recomeçar.
Filha de uma mãe espanhola apaixonada pela boa mesa e de uma avó paraense que dominava como poucas a culinária regional, Carla cresceu cercada por aromas e sabores que mais tarde se tornariam sua marca registrada. “Comida, para mim, sempre foi sagrada”, resume. Ainda assim, o caminho até a gastronomia não foi linear.

Formada em Administração, Marketing, Gestão de Tecnologia e Gastronomia, Carla construiu uma carreira sólida na indústria farmacêutica. Mas foi a maternidade que virou sua vida de ponta-cabeça. Ao receber o diagnóstico de autismo da filha, decidiu largar tudo para dedicar-se ao tratamento. No retorno ao mercado, buscou algo que unisse liberdade, propósito e paixão: “A gastronomia me escolheu”, admite.
A Doceria que nasceu da Amazônia
Foi desse reencontro consigo mesma que surgiu a Sweet Amazon (@sweetamazonbr), uma confeitaria artesanal que alia técnicas modernas da confeitaria francesa aos ingredientes ancestrais da Amazônia. “Somos uma empresa 100% amazônida. Trabalhamos com insumos de altíssima qualidade para entregar uma confeitaria autoral, com identidade própria”, explica a chef.
O diferencial não está apenas no sabor, mas no conceito. Do cupuaçu, rei das frutas da região, às sementes como cumaru e puxuri, Carla cria doces que unem sofisticação e ancestralidade. “Nosso objetivo é oferecer mais que sobremesas, é proporcionar experiências amazônicas em forma de doçura”, destaca.

Gastronomia como missão
Mais do que empreendedora, Carla é professora. Ensinar, garante, é sua maior realização profissional. “Ver meus alunos conquistando renda, dignidade e crescimento é a vitória que mais me orgulha.” Para ela, formar novos profissionais é também perpetuar o legado da culinária amazônica, garantindo que seus saberes e sabores atravessem gerações.
Os desafios, contudo, não são poucos. Do apoio financeiro para expansão à conciliação da maternidade atípica com uma rotina intensa, Carla não esconde as dificuldades. Mas jamais pensou em desistir. “Sou teimosa demais para isso. E quando vejo pessoas que se inspiram no meu trabalho, percebo que desistir não é opção.”

O futuro da culinária amazônica
Com um olhar esperançoso, a chef acredita que o mundo está pronto para reconhecer o que a região tem de melhor. “Nós já sabemos que temos uma das melhores gastronomias do planeta. Agora chegou a hora do mundo inteiro saber também.”
Planos para o futuro não faltam: seguir formando profissionais de excelência e lançar novos projetos — ainda guardados a sete chaves.

Conselhos de quem vive o ofício
Para quem sonha seguir carreira na cozinha, Carla é direta: “Estude. E saiba escolher de quem aprender. Ensinar exige preparo e responsabilidade.” E completa com a receita de persistência que a própria vida lhe ensinou: “Nosso ramo é difícil, exige resiliência e muita força. Não desistir é a chave para transformar sonho em realidade.”
De Marabá e Espanha a Belém, das raízes familiares ao palco profissional, Carla Martine personifica a força da culinária amazônica — feita de tradição, ousadia e, sobretudo, amor pelo que se faz.











Comentários