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Mika: a arte da panificação natural que une tradições, sabor e transformação em Belém.

créditos da foto: arquivo pessoal.
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Em meio ao crescimento da gastronomia artesanal em Belém, a panificação natural vem conquistando espaço e despertando o interesse de pessoas que buscam alimentos com mais história, qualidade e conexão com os processos naturais. Entre os profissionais que vêm contribuindo para esse movimento está Yasmin Serra, conhecida como Mika, padeira e confeiteira que transformou sua paixão pelo pão em propósito de vida.


Técnica em Alimentação Coletiva e formada pelo Senac em panificação e confeitaria, Mika atua na gastronomia desde 2017. Sua relação com a cozinha nasceu a partir do encantamento pelo poder que a comida tem de reunir pessoas, despertar memórias e demonstrar cuidado.


Mas foi em 2016 que sua trajetória ganhou um novo significado, quando conheceu a fermentação natural.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

“Quando conheci esse universo, senti que era exatamente o caminho que eu queria seguir. A panificação sempre ocupou um lugar especial na minha trajetória. Foram dez anos de estudo, prática e persistência até conseguir atuar profissionalmente na área”, conta.


Para Mika, fazer pão vai muito além de uma técnica culinária: é um exercício de paciência, sensibilidade e respeito ao tempo.


O resgate do pão de verdade


A panificação natural utiliza o levain, um fermento natural formado por uma cultura viva de leveduras e bactérias benéficas, que permite uma fermentação mais lenta e cuidadosa da massa.


crédito da foto: arquivo pessoal.
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Diferente da panificação convencional, que busca processos mais rápidos e padronizados, a fermentação natural valoriza o tempo como parte essencial da construção do sabor.


“O que mais me encantou foi perceber que, com poucos ingredientes — farinha, água, sal, levain e tempo — é possível criar um alimento tão complexo, cheio de sabor, história e vida”, explica.


Esse processo resulta em pães com características marcantes: casca crocante, miolo macio e aromas mais desenvolvidos. Além disso, segundo Mika, a fermentação longa pode contribuir para uma melhor digestibilidade, pois os microrganismos transformam parte dos componentes da farinha durante o processo.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Técnica, cuidado e respeito ao tempo


A produção de um pão natural começa antes mesmo da mistura dos ingredientes. O levain precisa ser alimentado e cuidado constantemente para manter sua força e equilíbrio.


Depois vêm etapas como autólise, desenvolvimento do glúten, dobras, fermentação, modelagem e descanso. Cada detalhe influencia no resultado final.


“Não é possível apressar esse processo sem comprometer a qualidade do pão. O padeiro precisa aprender a ler a massa e entender o momento certo de cada etapa”, destaca.


Para ela, a panificação natural representa uma união entre tradição e inovação.


“Em uma época marcada pela velocidade e pela tecnologia, ela resgata técnicas milenares e mostra que tradição e inovação podem caminhar juntas.”


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

A força da panificação natural em Belém


A capital paraense possui uma identidade gastronômica rica, construída por ingredientes, saberes e tradições. Dentro desse cenário, Mika percebe um crescimento positivo da panificação natural.


“As pessoas estão mais interessadas em entender o que consomem, valorizando alimentos produzidos de forma artesanal, com ingredientes de qualidade e processos mais cuidadosos.”


Ela acredita que ainda existe muito espaço para crescimento, formação de novos profissionais e democratização do acesso ao pão artesanal.


“O pão pode ser muito mais do que um alimento do dia a dia. Ele pode representar cultura, técnica, saúde e conexão entre as pessoas.”


Valorizando os sabores da Amazônia


A riqueza dos ingredientes paraenses também encontra espaço na criação de Mika. Um dos destaques da sua produção é o pão italiano com castanha-do-pará, que se tornou o carro-chefe do seu trabalho.


Mas os planos vão além: ela desenvolve novas receitas inspiradas na biodiversidade amazônica, como um pão verde utilizando jambu e testes com massa hidratada com açaí.


“A fermentação natural nos permite essa liberdade de criar e valorizar os ingredientes da nossa terra de forma única.”


Empreender com propósito


Além da produção dos pães, Mika carrega um sonho maior: levar conhecimento e transformar vidas por meio da panificação.


Ela deseja criar projetos sociais utilizando o pão como ferramenta de geração de renda e autonomia, além de oferecer cursos para ensinar desde o nascimento do levain até a finalização de um pão.


“Quero tornar o pão de fermentação natural mais acessível em Belém, quebrando a ideia de que ele é um produto de luxo.”


Para quem deseja empreender na gastronomia, seu conselho é valorizar a técnica, o planejamento e a identidade do produto.


“Comece pequeno, mas domine sua técnica. Foque em fazer um produto excepcional e entenda profundamente seus custos. O diferencial do empreendedor artesanal é o afeto, o tempo e a qualidade que ele entrega.”


Uma nova forma de enxergar o pão


Ao falar com quem ainda não conhece a panificação natural, Mika deixa um convite: experimentar sem preconceitos.


“Deem uma chance ao pão de verdade. Por trás daquela casca crocante existe um miolo incrivelmente macio, leve e um processo que respeita o tempo da natureza e a nossa saúde.”


Hoje, olhando para sua trajetória, ela reconhece dois momentos decisivos: quando conheceu a fermentação natural em 2016 e quando finalmente passou a atuar profissionalmente em 2026.


“Quando o pão sai do forno e percebo que cada etapa aconteceu como deveria, eu penso: 'É isso! Escolhi o caminho certo.'”


Mais do que fazer pães, Mika quer compartilhar conhecimento, fortalecer comunidades e mostrar que a gastronomia artesanal pode ser uma ferramenta de transformação.


Por trás de cada pão existe uma história — e a de Mika é construída com tempo, propósito e amor pela arte de alimentar pessoas.

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