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Da Amazônia às montanhas: a cozinha de Akillis Penafort

créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Na pequena e charmosa cidade de Gonçalves, conhecida pelo frio intenso e pelas paisagens da Serra da Mantiqueira, um cozinheiro vem chamando atenção ao unir duas culturas gastronômicas ricas e, à primeira vista, distantes: a amazônica e a mineira. Essa é a proposta de Akillis Penafort, que transforma memórias, origens e criatividade em experiências à mesa.


Filho de professora, pai metalúrgico e neto de tacacazeira, Akillis carrega em sua história influências que vão muito além da cozinha. Sua formação também percorre caminhos diversos: estudou violão clássico e popular na Fundação Carlos Gomes, é administrador e formado em gastronomia pela Unama. Mas foi ainda na infância que a relação com a comida começou.


“Comecei a cozinhar por necessidade, por volta dos 10, 11 anos. Não tínhamos condições de ter cozinheira ou babá, então eu mesmo preparava minhas refeições. Isso é comum na realidade de muitos brasileiros”, relembra.


créditos da foto: arquivo pessoal
créditos da foto: arquivo pessoal

Ao longo da trajetória, passou por restaurantes em cidades como Brasília e Belém, além de atuar com delivery de comida paraense. Hoje, ele se prepara para um novo e ousado projeto: o “Raiz de Bruma”, uma cozinha de experiências gastronômicas dentro de casa, onde pretende receber pequenos grupos entre 10 e 15 pessoas em meio à natureza, a mais de 1.500 metros de altitude.


A proposta vai além da refeição. É uma imersão sensorial que une sabores, histórias e o ambiente das montanhas — onde, no inverno, os termômetros podem marcar até -3°C. “A ideia é proporcionar uma conexão direta com a natureza, com cachoeiras e montanhas, enquanto apresento a junção dessas duas culturas tão ricas”, explica.


Entre suas criações, um prato se destaca como símbolo dessa fusão: o “Amazônia de Lata”. Desenvolvido para o 10º Festival Gastronômico de Gonçalves, ele traz um arroz cremoso de maniçoba preparado com carne de lata de porco — técnica tradicional do sul de Minas para conservação de alimentos. O resultado é uma combinação inusitada que respeita tanto a cultura amazônica quanto a mineira.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Os ingredientes típicos do Norte também têm papel fundamental em sua cozinha. Tucupi e jambu aparecem com frequência nas receitas, explorados de forma criativa e versátil. Akillis gosta de reinventar clássicos com um toque amazônico, como petit gâteau de açaí, barbecue de tucupi, dadinhos de tapioca versão tacacá e até releituras como o bolo “Romeu e Julieta”.


Mas a caminhada não foi simples. Um dos maiores desafios foi justamente se inserir em uma região com tradições tão fortes. “Chegar aqui sem conhecer ninguém e apresentar uma cultura diferente foi difícil. Ainda mais tentando mostrar que essas duas gastronomias podem dialogar e criar algo rico em história e sabor”, destaca.


Um dos momentos mais marcantes da sua trajetória foi justamente sua participação no festival gastronômico local, onde conseguiu apresentar essa fusão sem perder a essência da cultura de roça da região — um equilíbrio que se tornou sua marca.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Hoje, o que mais o motiva é criar experiências. Para ele, cozinhar vai além da técnica: é contar histórias por meio dos sabores. E é isso que pretende continuar fazendo no futuro. “Quero seguir cozinhando e mostrando minha história através da comida”, afirma.


Para quem acompanha ou deseja entrar no universo da gastronomia, Akillis deixa uma mensagem inspiradora:

“A busca por conhecimento é ilimitada, mesmo que nem sempre seja fácil. Sonhe o mais alto que puder, mantenha suas origens e nunca perca a referência de onde veio. É assim que você descobre seu real valor.”


O trabalho do chef pode ser acompanhado pelo Instagram: @akillisrl — onde ele compartilha sua jornada, criações e o desenvolvimento desse projeto que promete levar a gastronomia paraense a novos horizontes, literalmente entre montanhas.

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