Eliza Lisboa: das cocadas artesanais às geleias amazônicas que conquistam Belém
- Gastronomia Paraense

- 29 de ago. de 2025
- 3 min de leitura

Em meio aos desafios da pandemia, quando muitos negócios fecharam as portas e o desemprego atingiu milhares de famílias, a belenense Eliza Lisboa encontrou no improviso uma oportunidade de transformação. Moradora do bairro do Jurunas, ela participou em 2021 do programa Donas de Si, promovido pelo CRAS e pela Prefeitura de Belém. O curso oferecido era de Processamento de Frutas — algo distante da rotina que ela conhecia até então, já que trabalhava como manicure.
“Confesso que, no início, não era o que eu queria. Mas eu sabia que precisava me reinventar. E foi nesse curso que descobri uma nova paixão”, relembra. Sob a orientação da professora Brenda Brito, Eliza se encantou com a produção artesanal de geleias. O que parecia apenas uma capacitação se transformou em um negócio que hoje já é conhecido na capital paraense: a Geleias.e.cia.

O doce sabor da reinvenção
Os primeiros passos foram tímidos. Eliza começou vendendo cocadas para vizinhos e amigos. Logo depois, decidiu apostar nas geleias artesanais, divulgando fotos dos potes nas redes sociais. A persistência chamou atenção: os próprios organizadores do programa Donas de Si a convidaram para expor em um evento da Universidade Federal do Pará (UFPA). Foi a partir dali que a marca nasceu.
O nome Geleias.e.cia surgiu justamente porque Eliza decidiu ampliar o cardápio, oferecendo também conservas, cocadas e biscoitos, sempre com ingredientes amazônicos.

Amazônia dentro de um pote
Hoje, o grande destaque da marca são as geleias com pimenta, especialmente a de cupuaçu com pimenta, que se tornou o carro-chefe. Outros sabores campeões de vendas são cupuaçu com castanha e bacuri.
A produção segue um rigor artesanal, sem aditivos ou conservantes, e respeita a sazonalidade da região. “Ainda não tenho fornecedores fixos para todos os produtos, porque algumas frutas são sazonais. Mas essa é a riqueza da Amazônia: cada época traz um sabor diferente”, explica.
Além das geleias, as cocadas artesanais chamam atenção pela variedade. Produzidas sem leite — para serem inclusivas —, as opções vão muito além do tradicional: cupuaçu, bacuri, maracujá, flor de jambu e até açaí. O diferencial, segundo Eliza, está no cuidado manual: os cocos vêm do interior do estado e toda a polpa é retirada artesanalmente antes da produção.

Gastronomia, cultura e sustentabilidade
Mais do que oferecer sabores únicos, o negócio nasceu com uma preocupação ambiental. Desde o início, Eliza optou por trabalhar com potes retornáveis, reduzindo o impacto ambiental e reforçando o compromisso sustentável da marca.
“Temos uma cultura riquíssima. Por que não escolher esse caminho? O bacuri, por exemplo, é uma fruta que só aparece em determinada época. Transformá-lo em geleia é uma forma de preservar o sabor e presentear quem vem nos visitar. É cultura dentro de um pote”, resume.

De Belém para o mundo
O momento é promissor. Com a proximidade da COP30, que será realizada em Belém em 2025, Eliza busca consolidar sua marca para aproveitar os olhares internacionais que estarão voltados para a Amazônia. “Empreender não é fácil, mas esse é o momento de mostrar nossos produtos. Estou me unindo a outras empreendedoras para que, juntas, possamos levar a nossa cultura ao mundo”, afirma.
O sonho da expansão já existe. A empreendedora pensa em levar suas geleias para outros estados e até para o mercado internacional. Para isso, ainda precisa alinhar questões de rotulagem e legislação. Mas a determinação que a levou a transformar um curso inesperado em negócio de sucesso mostra que Eliza Lisboa e a Geleias.e.cia têm tudo para ir muito além de Belém.











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