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Da memória afetiva ao sonho de valorizar a gastronomia paraense: a história de Rita de Cássia


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Algumas histórias começam antes mesmo de uma pessoa entender que está construindo um caminho. Para Rita de Cássia Vieira de Oliveira, a gastronomia nasceu nas lembranças da infância, no cheiro da comida feita em casa, no fogão da avó e nas experiências que marcaram sua vida. Natural de Belém do Pará, nascida no dia 1º de maio, Rita cresceu em Santarém, cidade onde construiu suas primeiras conexões com os sabores e saberes da cozinha paraense.


Hoje morando em Belém, Rita está iniciando sua trajetória profissional na gastronomia, mas carrega uma relação antiga com a cozinha. Segundo ela, a gastronomia está “tatuada” em sua história desde pequena, tendo como ponto de partida o fogão da avó, as primeiras receitas que deram certo e os aromas das feiras de sua cidade.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Sua relação com a culinária também é atravessada pela ancestralidade. Rita vem de uma família com influências europeias e paraenses, com raízes que passam por Portugal e pela região amazônica, formando uma identidade cultural rica e cheia de referências.


Uma infância cercada por sabores e aprendizados


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Grande parte das memórias gastronômicas de Rita nasceu em Santarém, onde viveu momentos especiais na Casa Bom Jardim, uma taberna que também funcionava como padaria e baiuca, pertencente ao marido de sua tia. Foi nesse ambiente que ela teve contato com o universo da panificação e dos alimentos.


Entre padeiros, fornos a lenha e receitas tradicionais, Rita aprendeu detalhes que até hoje fazem parte da sua relação com a cozinha: a fermentação das massas, a preparação dos pães e o cuidado com cada etapa do preparo. Ela também guarda lembranças dos assados feitos no forno a lenha, experiências que descreve como mágicas.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

As primeiras receitas vieram da família, muitas vezes anotadas em papéis simples, como embalagens de pão. Com o tempo, Rita também desenvolveu habilidades com chocolate, aprendendo técnicas como temperagem e produção de bombons regionais — uma atividade que ajudou a custear seu cursinho pré-vestibular.


Da educação para a gastronomia


Antes de se dedicar ainda mais à cozinha, Rita construiu uma carreira no serviço público durante 15 anos. Nesse período, continuou próxima da gastronomia, participando de eventos e utilizando oportunidades para vender produtos pelo bairro.


Formada em Letras, Rita atua nas áreas de Literatura, Português e Redação, mas o amor pela cozinha continuou crescendo. Ela buscou formação profissional em panificação, concluiu recentemente a graduação em Gastronomia e atualmente também se aperfeiçoa na área de confeitaria.


Atualmente, produz bolos, tortas, pratos regionais e chope de frutas para venda, enquanto busca consolidar seu espaço no universo gastronômico.


Sabores que carregam memória


Quando perguntada sobre o prato que representa seu trabalho, Rita prefere falar de sensações: texturas, cheiros e diferentes receitas. Para ela, os sabores mais marcantes vêm da comida simples feita pela avó Filó, que deixou uma forte memória afetiva.


Ela relembra pratos como o ovo frito na manteiga, o frango temperado com limão, alho e sal preparado na frigideira de ferro e outras receitas que mostravam que a verdadeira comida nasce também do cuidado e da simplicidade.


Entre seus ingredientes favoritos estão o alho e a cebola, elementos que, segundo ela, transformam preparos como carnes, molhos, galinhadas e farofas.


Desafios e superação


A entrada na gastronomia profissional também trouxe desafios. Durante a graduação, Rita conta que precisou enfrentar dificuldades ao lidar com áreas como fichas técnicas, planejamento de receitas, gestão financeira e empreendedorismo. Além disso, passou por situações de preconceito, mas decidiu seguir em frente.


Sua trajetória mostra que a gastronomia também é um caminho de aprendizado constante, onde técnica e história caminham juntas.


O sonho de levar o Pará para o mundo


Entre seus maiores sonhos está levar a gastronomia paraense para além das fronteiras do estado, mostrando que os sabores amazônicos vão muito além dos pratos mais conhecidos. Rita deseja criar uma cozinha autoral, valorizando ingredientes regionais, produtores locais e a identidade da Amazônia.


Ela sonha em ter um espaço onde a cozinha paraense seja reconhecida como alta gastronomia: com raízes, sofisticação e respeito à cultura. Também deseja ensinar e compartilhar conhecimento com novas gerações de cozinheiros.


Para Rita, sua missão é transformar tudo aquilo que recebeu da família em legado.


“Cozinha é afeto”, resume. Ela acredita que a gastronomia nasce da memória, dos cheiros da infância e da vontade de alimentar pessoas. Sua mensagem para quem ama cozinhar é valorizar suas raízes, pois a técnica pode ser aprendida, mas a identidade é algo único.

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