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Padarias paraenses apresentam novo estilo

A DomNato Casa de Pães transformou o conceito do negócio no Pará



Ricardo Donato mudou o perfil das padarias com a DomNato Casa de Pães/Foto: Lucas Dias

O pão é um dos alimentos mais tradicionais e populares do mundo. É essencial no café da manhã e da tarde dos paraenses, junto com o cafezinho. Muitos dizem que o dia só começa depois do café com pão.


A fabricação do pão envolve diversos métodos, o que faz com que exista uma grande variedade da iguaria, como os pães francês, sírio, italiano, caseiro, integral, de forma, de cereais, baguete, doce, entre outros. Pela importância do pão na alimentação, as padarias também se tornaram parte do cotidiano das pessoas.


Um dos criadores da DomNato Casa de Pães, Ricardo Donato conta que a panificadora foi inaugurada em 2013, em Belém. “É uma história que envolve o meu sogro, a minha esposa e eu. Eu sou de Petrópolis, da região serrana do Rio de Janeiro, e meu sogro e minha esposa são paraenses. Fui para Campos do Jordão, em São Paulo, fazer gastronomia, e minha esposa coincidentemente foi também e eu a conheci lá. Quando a gente terminou a faculdade, o meu sogro teve a ideia de fazer uma panificadora, pois ele era distribuidor de produtos de panificação. A gente veio morar aqui e eu montei junto com ele e com minha esposa a DomNato”, relembrou.



DomNato tem variedade de pães como um dos pontos altos do negócio/Foto: Lucas Dias

O nome da panificadora veio de uma brincadeira com o sobrenome de Ricardo e as palavras “dom nato”. O objetivo deles ao criar a DomNato foi trazer um estilo novo de padaria, parecido com as padarias de São Paulo. “Em São Paulo foi onde começou essa coisa das padarias serem multissegmentadas, mais ou menos em 1999 e 2000, quando os supermercados começaram a ter padaria e os panificadores começaram a pensar de que forma eles iam trazer os clientes, porque você podia comprar pão nos supermercados. E aí eles começaram a multissegmentar as panificadoras, ou seja, você não vai mais à padaria só para comprar o pão; nós temos lanchonete, pizzaria, confeitaria e outros serviços dentro dela”, explicou.


No início, Ricardo diz que os paraenses estranharam um pouco o novo estilo de padaria. Por ser um local muito grande e glamouroso, se esperava um serviço de restaurante, quando na verdade, segundo ele, a proposta da DomNato era transformar a concepção dos clientes sobre as padarias atuais. “Houve essa dificuldade no começo, mas hoje eles entendem. Logo depois que a gente inaugurou, outras padarias começaram a se reformular também”, destacou.


De acordo com Ricardo, o grande lance das panificadoras é que elas fazem parte do cotidiano das pessoas. “Em um momento especial ou data comemorativa você vai para um restaurante, um hotel, uma praia. Mas eu acredito que o sucesso da padaria existe porque ela faz parte do dia a dia. Tem uma venda recorrente, não só num momento específico, e a gente começa a fazer parte do cotidiano das pessoas e a ver sempre os mesmos rostos. As pessoas também adotam muito a sua padaria preferida, principalmente em bairros. É o tipo de lugar onde você compra todo dia. A padaria oferta coisas que dão vontade de comer, salgados, doces bonitos, não é só o pão francês. Tudo isso faz o sucesso da padaria”, afirmou.


Técnica e amor


O padeiro e confeiteiro Everton Willian é o chefe de produção da DomNato Casa de Pães. Everton se formou como mestre boulangerie e patisserie (termos gastronômicos para padaria e confeitaria) no centro europeu e já viajou para Alemanha, França, Itália, Espanha, Suíça e Portugal, em busca de conhecimentos e aprimoramentos dentro da área. “Comecei a trabalhar na área como balconista em uma rede de supermercado. Então surgiu a oportunidade de trabalhar como auxiliar de padeiro. No mesmo ano passei a padeiro e fui o encarregado do setor. Quando eu era balconista, ficava admirando o trabalho dos profissionais na época e tinha oportunidade de ajudar o padeiro. Assim fui gostando e me dedicando em aprender”, disse.


Everton declara que ser padeiro não é fácil, mas ele sempre se dedicou muito e aprendeu a amar o que faz. Segundo ele, são horas e horas de trabalho, às vezes até passando da hora do almoço; além da temperatura da padaria, que não é agradável. Mas no final das contas, as partes ruins ficam para trás, quando você vê o resultado do seu esforço, o padeiro afirma. Para Everton, o que mais o faz feliz é poder repassar seus conhecimentos.


“Hoje, mais do que nunca, o pão está em alta com a febre dos pães artesanais, sendo essencial não só na alimentação mas também na vida saudável das pessoas, pois os pães de fermentação natural, pães de fibras, pães multigrãos, pães integrais, pães sem glúten e sem lactose são pães que ajudam na digestão e têm um valor nutritivo bem maior comparado aos pães simples, como o carequinha. O pão nosso

de cada dia já alimenta a humanidade há milhares de anos e nunca parou de evoluir”, finalizou o padeiro.