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A Era da Comida Fotogênica

créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Antes de conquistar o paladar, a comida precisa conquistar a câmera.


Vivemos um momento em que a aparência de um prato muitas vezes vale mais do que seu

sabor. Restaurantes são planejados para render boas fotos, ingredientes são escolhidos

pela estética, e receitas são adaptadas para performar melhor nas redes sociais. O

resultado? Uma gastronomia cada vez mais visual.


Não há nada de errado em apresentar um prato bonito. A gastronomia sempre dialogou

com os sentidos, e a visão é parte importante da experiência. O problema surge quando a

imagem se torna mais importante que a essência e a técnica.


Quantas vezes um prato viralizou pelo visual e decepcionou no sabor? Quantas vezes um

restaurante lotou por causa de um vídeo de quinze segundos, enquanto casas com

excelente comida permanecem vazias por não dominarem os algoritmos?


A lógica das redes sociais favorece o que chama atenção rapidamente. Cores vibrantes,

apresentações extravagantes e efeitos visuais geram engajamento. Já o equilíbrio de

sabores, a técnica apurada e a qualidade dos ingredientes exigem algo que as redes

raramente oferecem: tempo.


Essa transformação não afeta apenas os pratos; afeta também as carreiras. Nunca foi tão

comum ver jovens profissionais alcançando rapidamente o cargo de chef. Em muitos casos,

não por uma trajetória construída dentro da cozinha, mas pela capacidade de construir uma

audiência.


Historicamente, a formação de um chef passava por etapas importantes. Auxiliar,

cozinheiro, líder de praça, subchef e, finalmente, chef. Cada posição ensinava algo que

dificilmente se aprende em cursos ou nas redes sociais: gestão de equipe, controle de

estoque, planejamento de produção, padronização, custos, desperdícios e tomada de

decisão sob pressão.


Hoje, porém, alguns empresários enxergam nas redes sociais uma solução rápida para

seus negócios. Contratam profissionais com grande alcance digital para liderar operações

complexas, muitas vezes ignorando a experiência prática necessária para administrar uma cozinha profissional.


O problema é que uma cozinha não funciona com curtidas. Ela funciona com processos.

Em alguns casos, o profissional consegue entregar pratos de excelente qualidade. O sabor

agrada, a casa lota e o movimento aumenta.


Mas é justamente nesse momento que surgem

problemas menos visíveis para o cliente e mais perigosos para o empresário. Fichas

técnicas inexistentes, compras sem planejamento, desperdício elevado, ausência de

controle de estoque, produção desorganizada e equipes sem treinamento transformam o

sucesso de vendas em prejuízo operacional.


O empresário então se depara com uma situação aparentemente contraditória: o

restaurante está cheio, as vendas crescem mês após mês, mas o lucro não aparece.

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