Empresária paraense aposta na maturidade operacional para transformar negócios da alimentação em empresas preparadas para crescer
- Gastronomia Paraense

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A experiência de mais de duas décadas no mercado de alimentação levou a nutricionista de produção Sandra Guedes a identificar um desafio comum entre empresários do setor: muitos dominam a produção e oferecem produtos de qualidade, mas encontram dificuldades para crescer por falta de organização, processos estruturados e gestão eficiente. A partir dessa percepção nasceu a SGS – Soluções para Maturidade Operacional Food Service, consultoria especializada em desenvolver empresas da alimentação por meio da profissionalização da gestão.
Filha de ribeirinhos marajoaras, Sandra conta que sua história com o empreendedorismo começou ainda na infância. A mãe trabalhava com a venda de açaí, farinha e frutas na periferia de Belém, enquanto o pai atuou como padeiro e cozinheiro de navio. Foi nesse ambiente que aprendeu valores como disciplina, dedicação e responsabilidade, que mais tarde se tornariam a base de sua atuação profissional.
Ao longo de 24 anos no setor de Food Service, Sandra acompanhou de perto a rotina de restaurantes, padarias, confeitarias, hotéis, cozinhas industriais e serviços de alimentação coletiva. Em todas essas experiências, percebeu que o principal obstáculo para o crescimento das empresas não estava na qualidade dos produtos, mas na ausência de processos bem definidos, indicadores, liderança estruturada e organização operacional.
Foi dessa realidade que surgiu a SGS, criada com o propósito de preparar negócios da alimentação para crescer de forma sustentável. Segundo a empresária, a consultoria vai além das adequações sanitárias ou treinamentos técnicos, propondo uma transformação completa na forma como as empresas são geridas.
A metodologia desenvolvida pela consultoria recebeu o nome de Engenharia de Maturidade Operacional, um modelo que integra gestão, processos, desenvolvimento de pessoas, segurança dos alimentos e melhoria contínua. O objetivo é criar empresas mais organizadas, eficientes e preparadas para enfrentar os desafios do mercado.
Dentro dessa proposta foi criado o M.O.V.E. – Método de Engenharia da Maturidade Operacional, composto por quatro etapas: Mapear, Organizar, Validar e Evoluir. O processo começa com um diagnóstico detalhado da empresa, passa pela organização dos processos e responsabilidades, acompanha os resultados por meio de indicadores e estabelece uma cultura permanente de evolução.

Sandra explica que um dos maiores equívocos dos empresários é acreditar que vender mais resolverá todos os problemas do negócio. Na prática, quando a estrutura não acompanha esse crescimento, aumentam também os desperdícios, as falhas operacionais, a sobrecarga das equipes e a dependência do proprietário.
Segundo ela, é comum que os empresários procurem a SGS relatando dificuldades como desperdício de matéria-prima, alta rotatividade de funcionários, queda na qualidade dos produtos, aumento dos custos ou dificuldades para delegar funções. Entretanto, a consultoria atua identificando a causa desses problemas, e não apenas seus sintomas.
"A empresa normalmente nos apresenta o problema. A SGS trabalha para descobrir a causa. Quando tratamos apenas o sintoma, ele volta. Quando desenvolvemos maturidade operacional, a empresa evolui de forma consistente", destaca Sandra.
A consultora ressalta ainda que a profissionalização da gestão é um fator decisivo para aumentar a lucratividade e garantir a permanência das empresas no mercado. Processos padronizados, indicadores confiáveis, equipes capacitadas e lideranças preparadas tornam a operação mais eficiente e reduzem desperdícios que, muitas vezes, passam despercebidos, mas comprometem significativamente os resultados financeiros.
Outro ponto defendido por Sandra é que o crescimento sustentável depende da valorização das pessoas. Para ela, equipes bem orientadas e comprometidas são essenciais para manter a qualidade dos produtos e garantir a padronização das operações.
Entre os erros mais frequentes encontrados em restaurantes, padarias, confeitarias e outros negócios da alimentação estão a concentração de todas as decisões nas mãos do proprietário, a falta de processos definidos, a ausência de indicadores gerenciais e o pouco investimento no desenvolvimento dos colaboradores.
Para preparar uma empresa para crescer, Sandra afirma que é necessário fortalecer a operação antes de ampliar a produção ou abrir novas unidades. Isso passa pelo conhecimento dos custos, padronização das atividades, desenvolvimento de lideranças, acompanhamento de indicadores e criação de uma cultura voltada para a melhoria contínua.
Sobre o futuro do Food Service, a especialista acredita que tecnologias como inteligência artificial, automação, análise de dados e digitalização continuarão transformando o setor. No entanto, ela destaca que nenhuma inovação será suficiente sem uma gestão profissional capaz de sustentar esse crescimento.
A SGS também trabalha na implantação do Índice de Maturidade Operacional (IMO), ferramenta que permitirá aos empresários avaliar o nível de desenvolvimento de suas operações e identificar prioridades para evolução. Além disso, a empresa pretende ampliar sua atuação com treinamentos corporativos, mentorias, workshops, programas de desenvolvimento de lideranças e parcerias com instituições de ensino e entidades empresariais.
Para Sandra Guedes, fortalecer os pequenos e médios negócios da alimentação significa contribuir para o desenvolvimento econômico e para a valorização da gastronomia regional.
Ao final da entrevista, ela deixa uma reflexão aos empreendedores do setor.
"Negócios da alimentação não alimentam apenas pessoas. Eles alimentam sonhos, geram oportunidades, movimentam famílias e preservam histórias. Quando ajudamos uma empresa a crescer de forma organizada, lucrativa e sustentável, estamos fortalecendo esse legado para as próximas gerações", conclui.




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