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Lorena Santos: da superação de preconceitos ao propósito de transformar vidas através da gastronomia paraense


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

A gastronomia, muitas vezes, nasce antes mesmo da escolha de uma profissão. Ela surge dentro de casa, nas memórias afetivas, nos aromas, nos ensinamentos passados de geração em geração. Para a empreendedora e Personal Chef Lorena Santos, essa história começou ainda na infância, acompanhando de perto a rotina da mãe, que sempre trabalhou com alimentação e empreendeu no segmento.


Criada nesse universo, Lorena cresceu ajudando nas tarefas e conhecendo os desafios e encantos de quem vive da cozinha. Porém, como acontece com muitos jovens, ouviu durante anos que precisava seguir um caminho tradicional para alcançar sucesso profissional.


Por isso, iniciou a faculdade de Direito. Mas, ao chegar nas práticas jurídicas, percebeu que aquela não era a trajetória onde conseguiria colocar seu talento e sua dedicação de forma plena.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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“Eu percebi que não me via exercendo aquela profissão com excelência e propósito”, relembra.


A decisão de trancar o curso no sétimo semestre abriu espaço para reconhecer algo que já fazia parte da sua vida: o empreendedorismo gastronômico.


Desde 2014, Lorena já tinha seu próprio negócio. Começou vendendo hot dog no Portal da Amazônia, em Belém, depois de escolher morar sozinha muito cedo e precisar construir sua própria independência.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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O início, no entanto, veio acompanhado de julgamentos. Para muitas pessoas, trabalhar vendendo comida nas ruas ainda carregava preconceitos, e durante um tempo Lorena também teve dificuldade em enxergar o valor da própria trajetória.


A grande transformação aconteceu em 2022, quando um colaborador que cursava Gastronomia a incentivou a iniciar o curso.


“Desde o primeiro dia de aula, descobri não apenas uma paixão ainda maior, mas também um propósito de vida. Costumo dizer que Deus me fez renascer naquele momento”, afirma.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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A partir dali, Lorena passou a enxergar sua história com novos olhos e encontrou na gastronomia não apenas uma profissão, mas uma missão.


Construindo marcas com história e identidade


Hoje, Lorena está à frente de diferentes projetos gastronômicos que carregam histórias próprias.


O primeiro deles foi o Classic Hot Dog, empreendimento que começou com sua mãe em 2008 e que Lorena deu continuidade. A marca nasceu da proposta de oferecer lanches clássicos e tradicionais, mantendo uma identidade construída ao longo dos anos.


créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Outro projeto importante é o Paladar Regional, marca que representa suas raízes e sua conexão com a culinária paraense. Administrado principalmente por sua mãe, o empreendimento ganhou uma nova fase após a formação de Lorena em Gastronomia, com uma atuação mais voltada para a valorização dos sabores regionais.


Hoje, Lorena representa a marca em festivais e eventos, mantendo também o ponto físico no Portal da Amazônia.


O projeto mais recente é o Café dos Atletas, iniciado há poucos meses e que já vem conquistando seu espaço no mercado gastronômico.


A força da gastronomia regional


Para Lorena, valorizar a culinária paraense é também valorizar a própria história.


Suas raízes estão ligadas à agricultura familiar e às tradições amazônicas. Seus avós paternos descendem de famílias da agricultura familiar, enquanto seus avós maternos sempre trabalharam com a produção agrícola.


Ela conta que seu avô levava as colheitas de barco para serem comercializadas no Ver-o-Peso, uma relação que fez parte de sua vida e hoje se reflete em sua atuação profissional.


“O Paladar Regional representa muito mais do que um empreendimento: ele carrega a história da minha família e das minhas raízes”, destaca.


A preocupação com a origem dos ingredientes também faz parte da identidade da marca. Lorena mantém relações com agricultores de Barcarena e comerciantes do Ver-o-Peso, valorizando toda a cadeia produtiva dos alimentos.


Entre os sabores que mais representam sua trajetória, ela destaca a maniçoba, prato símbolo da cultura paraense e que traduz sua ligação com a ancestralidade e com a Amazônia.


A gastronomia como experiência e afeto


Além dos empreendimentos, Lorena também atua como Personal Chef, criando experiências gastronômicas personalizadas para diferentes momentos.


Para ela, cozinhar vai além do preparo dos alimentos: é criar memórias.


“A comida é uma experiência afetiva e, quando preparada com amor e dedicação, torna os momentos mais marcantes e cheios de significado”, explica.


Entre os momentos que marcaram sua trajetória, ela cita eventos familiares e profissionais, como o aniversário de um ano do filho de uma cliente que enfrentou dificuldades para engravidar.


Participar daquela celebração foi, segundo ela, uma experiência extremamente especial.


Os desafios de empreender na gastronomia


Embora a gastronomia esteja ganhando cada vez mais reconhecimento, Lorena destaca que ainda existem desafios para quem decide empreender no setor.


Durante muito tempo, a área foi pouco valorizada e vista sem o devido reconhecimento. Porém, ela acredita que o cenário está mudando, principalmente no Pará.


“Empreender é para pessoas inquietas e determinadas. É uma jornada que exige construção diária, resiliência e coragem”, afirma.


Para equilibrar os diferentes papéis — empreendedora, cozinheira, gestora e profissional criativa — Lorena acredita que é necessário unir paixão, técnica, dedicação e organização.


Além disso, destaca a importância de buscar conhecimento constante, investir na qualidade dos produtos e colocar o cliente como prioridade.


Novos sonhos e o futuro na gastronomia


Mesmo realizada com os projetos que desenvolve atualmente, Lorena possui novos sonhos para sua caminhada.


Um deles é ampliar sua atuação na docência. A paixão por ensinar surgiu desde sua participação no projeto Gastronomia do Amanhã, onde descobriu o prazer de compartilhar conhecimento e contribuir para a formação de novos profissionais.


Ao olhar para o futuro da gastronomia paraense, ela acredita que o momento é positivo.


A culinária regional, antes vista apenas como algo local, hoje ganha reconhecimento como patrimônio cultural, movimentando turismo, economia e abrindo portas para empreendedores paraenses.


Para quem deseja transformar a paixão pela cozinha em negócio, Lorena deixa um conselho:


“Comece. Comece pequeno, mas comece. Priorize a qualidade, faça tudo com dedicação e esteja disposto a melhorar constantemente.”


Sua mensagem final é um convite para acreditar na própria história:


“Faça aquilo que você ama, sem permitir que as opiniões alheias determinem os seus caminhos. Cada trajetória é única. Quando existe amor pelo que se faz, persistência e propósito, toda a caminhada passa a valer a pena.”

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