A matemática também mora no rio
- Rômulo Aires (Téo)

- há 4 dias
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Ela revela que o conhecimento nasce da cultura e da prática cotidiana. O matapi, instrumento tradicional dos ribeirinhos, é prova disso. Sua construção apresenta formas geométricas como o cilindro e o cone, resultado de observações e saberes transmitidos entre gerações.
Além da forma, há o volume. O espaço interno do matapi permite estimar a quantidade de camarão capturada, tornando possível determinar, de maneira empírica, quantos quilos cabem em cada armadilha. Sem fórmulas escritas, o ribeirinho aplica lógica, proporção e experiências acumuladas ao longo do tempo.
Acredito, a partir das minhas observações, que há nesses saberes uma profunda inteligência baseada na lógica matemática.
Um dos pratos servidos no restaurante nasce desse camarão, retirado do matapi, fruto do saber ribeirinho. Ele é preparado com cuidado na medida certa do afeto: Perfuro o Camarão com tala e finalizo na folha do açaí, tempero com sal e limão , espio o fogo crescendo dando forma a uma encantadora labareda. Mais que um prato, é cultura servida à mesa sincronizando encontro do rio, da matemática e da tradição que se transforma em sabores.








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