A profissionalização da gastronomia vai muito além do “saber cozinhar”
- Edivaldo Cordeiro

- 11 de abr.
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A Comissão de Educação (CE) aprovou nesta terça-feira (7) projeto que regulamenta as profissões de cozinheiro e gastrônomo e institui uma data nacional para essas categorias. O PL 1.020/2022, do senador Carlos Fávaro (PSD-MT), foi aprovado com parecer favorável do relator, senador Laércio Oliveira (PP-SE), e segue para a Comissão de Assuntos Sociais (CAS).
Pelo projeto, poderão exercer essas profissões pessoas com diploma de ensino médio e curso técnico de cozinheiro, com formação de nível superior em gastronomia, ou aqueles que, na data de promulgação da lei, estiverem exercendo efetivamente uma das profissões há pelo menos três anos.
O projeto define ainda o dia 10 de maio como o Dia do Cozinheiro e Gastrônomo. Para Laércio Oliveira, a celebração anual é uma homenagem justa aos profissionais, além de ser uma oportunidade para fomentar práticas de educação alimentar e nutricional.
— A atuação desses profissionais é vital para a preservação e a promoção das tradições culinárias. A regulamentação da profissão, portanto, não é apenas uma questão de legalidade, mas um imperativo para a valorização e o reconhecimento do papel dos cozinheiros e gastrônomos na sociedade — disse o relator ao recomendar a aprovação.
Fonte: Agência Senado
A aprovação do projeto de lei conduzido pelo senador Carlos Fávaro, com relatoria de Laércio Oliveira, marca um momento simbólico e estratégico para a gastronomia brasileira. Mais do que regulamentar funções, o PL 1.020/2022 abre espaço para uma discussão mais profunda: a profissionalização da cozinha e o reconhecimento de quem sustenta, diariamente, uma das expressões culturais mais ricas do país.
Durante décadas, a cozinha foi romantizada como um espaço de talento nato, herança familiar ou dom. No entanto, a realidade contemporânea exige técnica, ciência e gestão. A regulamentação proposta fortalece a gastronomia como campo profissional estruturado, onde formação técnica e acadêmica deixam de ser diferenciais e passam a ser pilares.
Reconhecer oficialmente cozinheiros e gastrólogos é, sobretudo, legitimar anos de estudo, prática e aperfeiçoamento. É afirmar que cozinhar profissionalmente envolve domínio de प्रक्रessos, segurança alimentar, padronização, inovação e responsabilidade social.
Nos Bastidores da formação em gastronomia, seja técnica ou superior, vai muito além das receitas. Nos bastidores, há uma rotina intensa de aprendizado que inclui:
Controle rigoroso de higiene e segurança alimentar, Conhecimento profundo de insumos e sazonalidade, Técnicas clássicas e contemporâneas, Planejamento de cardápios e custos, Gestão de equipe e operação de cozinha.
Além disso, muitos estudantes enfrentam desafios financeiros, jornadas extensas e a necessidade de conciliar estudo com trabalho em ambientes muitas vezes exaustivos. A regulamentação valoriza esse percurso formativo, trazendo mais clareza sobre competências e atribuições.
No Mercado de trabalho entre oportunidades e desafios,
O mercado gastronômico é amplo e abrange restaurantes, hotéis, hospitais, eventos, consultorias e até residências. Porém, também é marcado por:
Longas jornadas de trabalho, Pressão constante por produtividade e qualidade, Baixa valorização salarial em muitos segmentos, Alta rotatividade.
Nesse cenário, a regulamentação pode contribuir para organizar a profissão, estabelecer parâmetros mínimos e fortalecer a identidade profissional, criando caminhos mais justos e sustentáveis para quem atua na área.
No Empreendedorismo: ” A cozinha como negócio”, cada vez mais, cozinheiros e gastrônomos assumem o papel de empreendedores. Food trucks, delivery, consultorias e negócios autorais têm ganhado espaço, especialmente em contextos regionais como o Norte do Brasil, onde a identidade culinária é um diferencial competitivo.
A regulamentação ajuda a consolidar essa visão da gastronomia como setor econômico relevante.
A criação do Dia do Cozinheiro e Gastrônomo, em 10 de maio, vai além de uma homenagem. Representa um marco de visibilidade para uma categoria historicamente invisibilizada nos bastidores.
Mais do que isso, o projeto:
Reconhece a gastronomia como patrimônio cultural, valoriza profissionais que preservam tradições e inovam ao mesmo tempo, estimula a educação alimentar e nutricional, reforça a necessidade de qualificação e profissionalismo.
A luta diária na cozinha que por trás de cada prato servido, existe uma rotina de esforço que muitas vezes não aparece. São profissionais que enfrentam calor intenso, pressão por tempo, exigência de perfeição e, frequentemente, pouca valorização.
A regulamentação não resolve todos os problemas da categoria, mas representa um avanço importante na luta por reconhecimento, dignidade e melhores condições de trabalho.
No fim, falar de gastronomia é falar de cultura, economia e pessoas. E reconhecer oficialmente quem faz a cozinha acontecer é um passo essencial para fortalecer todas as lutas diárias




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