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Da Pedreira para o mundo: chef paraense leva sabores da Amazônia à Argentina e transforma história de vida em inspiração

créditos da foto: arquivo pessoal.
créditos da foto: arquivo pessoal.

Entre o cheiro do tucupi, o sabor marcante do cupuaçu e as memórias de infância em Belém, uma trajetória de coragem e perseverança cruzou fronteiras para mostrar ao mundo a riqueza da gastronomia amazônica. Nascida e criada no bairro da Pedreira, em Belém, a chef Lucimar transformou uma história simples em uma carreira internacional, levando a identidade do Pará para cozinhas, eventos e palcos gastronômicos fora do Brasil.


Sua relação com a gastronomia começou ainda muito cedo, aos 16 anos. Na época, a profissão era conhecida popularmente como “cozinheira de forno e fogão”, e o aprendizado acontecia de forma bem diferente da realidade atual. Sem internet e plataformas digitais, a busca por conhecimento vinha das revistas vendidas em bancas de jornal e dos programas culinários que marcaram gerações.


“Cozinhar sempre foi mais do que um trabalho. Tornou-se um propósito”, relembra.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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Anos depois, quando já havia construído experiência profissional no Rio de Janeiro, Lucimar percebeu que queria ir além. Aos 30 anos, tomou uma decisão que mudaria sua vida: deixar o Brasil e partir rumo à Argentina com um objetivo muito claro — tornar-se uma chef internacional.


A mudança trouxe desafios, mas também abriu caminhos inesperados. Apenas dois meses após chegar a Buenos Aires, ela já encontrava uma forma de empreender utilizando algo profundamente ligado às suas raízes: o açaí.


Mas foi através da gastronomia paraense que sua história ganhou ainda mais força.


O interesse do público argentino pelos sabores amazônicos começou a crescer após um convite para preparar tacacá ao vivo em um programa de televisão. Lucimar reuniu ingredientes vindos diretamente de Belém — tucupi, jambu e camarão — e apresentou um universo de sabores até então desconhecido para muitos.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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A reação foi imediata.


O jambu, famoso pela sensação de “tremer a boca”, despertou curiosidade nos apresentadores, enquanto o sabor intenso do camarão amazônico surpreendeu os participantes do programa. O resultado abriu portas para algo ainda maior: a venda de pratos típicos em Buenos Aires.


Com apoio de um amigo que cedeu espaço em seu restaurante, Lucimar começou a apresentar a culinária do Norte para argentinos e brasileiros. O sucesso fez o cardápio crescer, incorporando pratos e receitas que carregam a identidade do Pará, como maniçoba, vatapá e bolo de cupuaçu.


Segundo ela, os pratos paraenses despertam curiosidade justamente por serem únicos.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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“O tacacá, a maniçoba, o vatapá e o bolo de cupuaçu carregam histórias, sabores e tradições que criam uma conexão imediata com quem experimenta”, destaca.


Mesmo morando fora do Brasil, a chef mantém elementos indispensáveis da cultura amazônica em sua rotina. Em sua cozinha, por exemplo, a farinha de mandioca e a polpa de cupuaçu nunca faltam.


“É um pedacinho de Belém que chega até meus clientes”, afirma.


Ao longo da carreira, Lucimar também colecionou experiências marcantes. Trabalhou como chef no Maracanã durante grandes eventos internacionais, participou da Copa do Mundo e das Olimpíadas de 2016 e ainda ganhou projeção internacional ao integrar o reality gastronômico Passa Pratos, em Buenos Aires.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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Mas, apesar do reconhecimento, ela afirma que a essência continua a mesma: carregar o Pará em cada prato.


Mesmo atuando com diferentes estilos culinários e utilizando técnicas internacionais, ela faz questão de inserir sabores, ingredientes e memórias amazônicas em suas criações.


Para ela, técnica e conhecimento são importantes, mas existe algo que nunca pode faltar.


“O amor é o ingrediente que realmente transforma cada prato.”


Hoje, enquanto a gastronomia amazônica conquista cada vez mais espaço no cenário nacional e internacional, Lucimar acredita que o Pará vive um momento histórico de valorização. Ainda assim, defende que os próprios paraenses precisam reconhecer e apoiar mais os talentos que representam a região no mundo.


créditos da foto: arquivo pessoal.
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Da menina da Pedreira à chef internacional, sua trajetória prova que raízes não limitam caminhos — elas podem ser justamente a força capaz de levar alguém muito além das fronteiras.

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