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Fala meu povo lindo! Bora tomar nosso cafezinho?

Crédito da foto: arquivo pessoal
Crédito da foto: arquivo pessoal

Durante muito tempo a gastronomia amazônica foi tratada como algo “exótico”,curioso,interessante

curiosamente, essa visão quase sempre veio de quem nunca pisou em um mercado amazônico ao amanhecer.


Quem nunca viu a diversidade de peixes que chegam aos portos ribeirinhos. Quem nunca provou um tucupi temperado com alho, alfavaca e “bem” chicória!

Quem nunca percebeu que, dentro da floresta, existe uma lógica culinária própria, construída por nossos ancestrais.


Enquanto cozinhas europeias se orgulham do seu “Terroir” suas tradições e seus ingredientes locais, a Amazônia sempre teve tudo isso em abundância. O que faltou não foram insumos. Faltou reconhecimento, vontade de ver de perto.


Nossa floresta abriga uma das maiores biodiversidades alimentares do planeta. Tucupi, jambu, puxuri, priprioca, cupuaçu, taperebá,açaí, castanhas, uma infinidade de peixes de água doce. Ingredientes complexos, elegantes, cheios de personalidade.


Ainda assim, durante décadas, muitos deles foram tratados como curiosidade regional.

Nos últimos anos tive a oportunidade de cozinhar fora do Brasil e apresentar alguns desses sabores em mesas europeias. E algo interessante sempre acontece: o que para nós é cotidiano provoca um semblante de surpresa,espanto.


É possível perceber a mente dos comensais processando os sabores e quase explodindo com a complexidade dos nossos sabores, uma busca em vão de referências gastronômicas no arquivo pessoal de memórias afetivas e gastronômicas de cada um...


Essa parte do meu trabalho eu chamo de:

A surpresa da descoberta !


Porque quando alguém prova um bom tucupi, sente o formigamento do jambu ou descobre o perfume do puxuri, percebe rapidamente que ali não existe exotismo. Existe sofisticação.

Certa vez ouvi de uma mulher muito sábia !

“Chef, nunca se diminua para caber no espaço que não é seu”

É assim com nossa floresta !

A Amazônia nunca precisou se adaptar para caber no mundo.


O mundo é que está apenas começando a descobrir que a floresta guarda uma das cozinhas mais originais do planeta.

Creio que nosso grande desafio seja outro.

O mundo já entendeu que não somos a periferia da gastronomia.


Cabe a nós manter o respeito e o cuidado para que não só a nossa, mas as próximas gerações de profissionais de cozinha, desfrutem deste privilégio.


Porque quando um prato amazônico chega à mesa, ele não leva apenas ingredientes, leva cultura e sem dúvida um Terroir único e original.

E cada vez que esses sabores atravessam o oceano, fica mais evidente uma verdade simples:


A Amazônia não é tendência, ela é origem.


Arturo Báez

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