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Da cozinha da infância às salas de aula: a trajetória do chef Lucas Albuquerque na gastronomia

Chef Lucas Albuquerque. Crédito da foto: divulgação.
Chef Lucas Albuquerque. Crédito da foto: divulgação.

A história do chef Lucas Albuquerque com a gastronomia começou muito antes de qualquer formação profissional. Desde a infância, a cozinha já era um espaço presente em sua vida, marcado por memórias familiares, afeto e aprendizado.


Lucas perdeu a mãe ainda muito jovem, mas lembra que foi ela uma das grandes incentivadoras de seu interesse pela culinária. “Lembro-me dela estudando e perguntando como se faziam pudins e outras receitas”, recorda. Além dela, outras figuras familiares também tiveram papel importante em sua formação afetiva com a comida, como a madrinha, que preparava pratos sob encomenda, e o avô, que atuou como taifeiro na Marinha. As reuniões familiares também deixaram marcas na memória do chef, especialmente ao observar sua tia paterna, conhecida como “tia Nazi”, responsável por preparar as refeições nas celebrações da família.


Crédito da foto: arquivo pessoal.
Crédito da foto: arquivo pessoal.

Apesar da forte ligação com a cozinha desde cedo, o caminho profissional até a gastronomia não foi imediato. Antes de se dedicar à área, Lucas trabalhou como ajudante de obras e vendedor de perfumes. Mais tarde ingressou no Exército Brasileiro, período que considera importante para seu crescimento pessoal. Mesmo ali, o desejo de trabalhar com comida continuava presente. “Sempre tentei ser transferido para a cozinha”, conta.

Após deixar o Exército, enfrentou cerca de quatro anos de instabilidade no comércio. Foi então que decidiu mudar definitivamente o rumo da própria trajetória e investir nos estudos. Durante a formação, estagiou em uma grande empresa do setor gastronômico, experiência que ajudou a consolidar sua carreira.


O esforço trouxe resultados significativos. Após concluir sua formação, Lucas conquistou uma oportunidade internacional: um intercâmbio para lecionar na Universidade Nacional Hermilio Valdizán e no Instituto Simon Bolívar, no Peru. Atualmente, ele atua como instrutor de gastronomia no SENAC, função que desempenha com orgulho e dedicação.


Crédito da foto: arquivo pessoal.
Crédito da foto: arquivo pessoal.

Na sala de aula, Lucas afirma que seu maior desafio também é sua principal missão. Para ele, ensinar vai além da transmissão de técnicas culinárias. “Meu maior desafio é olhar para um aluno, enxergar-me nele e projetar como posso ajudá-lo em sua jornada”, explica. Segundo o chef, compreender as dificuldades enfrentadas pelos estudantes é essencial para ajudá-los a construir seu próprio caminho na profissão.


Na cozinha, Lucas define seu estilo como verdadeiro. Ele explica que prefere dominar as técnicas e aplicá-las de forma autêntica, sem excessos. Para o chef, mesmo a alta gastronomia não deve perder a essência das receitas que remetem à comida caseira. “A cozinha pode ser da alta gastronomia, mas nunca deve perder a essência da panela da vovó ou do vovô”, afirma.


Crédito da foto: arquivo pessoal.
Crédito da foto: arquivo pessoal.

Entre os temas que considera fundamentais para o presente e o futuro da gastronomia, a sustentabilidade ocupa lugar central. Para ele, essa não é mais apenas uma tendência, mas uma obrigação. O chef defende práticas como o uso de fornecedores locais, a redução de plásticos e o aproveitamento integral dos alimentos, incluindo cascas, sementes e talos.


Lucas também ressalta a forte relação entre alimentação e cultura, especialmente quando se fala da culinária paraense. “Comer é um ato de resistência cultural, principalmente para nós, paraenses”, afirma. Em sua prática profissional, ele busca valorizar ingredientes locais e entende a cozinha como uma forma de contar a história de um povo por meio dos pratos.


Aos que desejam ingressar na área da gastronomia, o chef deixa um conselho direto: humildade. Ele destaca que a profissão exige dedicação, esforço físico e disposição para aprender com os erros. “Você vai errar pontos de cozimento, vai se queimar e vai trabalhar enquanto os outros se divertem. Se você amar o processo tanto quanto o resultado final, estará no lugar certo”, diz. Além disso, incentiva os futuros profissionais a estudarem a teoria, praticarem bastante e manterem a fé.


Crédito da foto: arquivo pessoal.
Crédito da foto: arquivo pessoal.

Ao recordar momentos marcantes da carreira, Lucas destaca dois episódios. O primeiro aconteceu ainda como estudante, quando enfrentava dificuldades financeiras e incertezas sobre o futuro. O apoio da família e dos professores foi decisivo para que ele se inscrevesse no programa de intercâmbio internacional que acabou transformando sua trajetória. O segundo momento especial aconteceu já como docente, ao ouvir de um aluno que ele havia sido essencial em um momento em que o estudante pensava em desistir da carreira. Ver esse aluno seguir na gastronomia tornou-se uma experiência profundamente significativa.


Para o futuro, Lucas Albuquerque afirma que deseja continuar cumprindo sua missão como educador e profissional da cozinha. Seu objetivo é seguir sendo inspiração para novos talentos e contribuir para que a gastronomia amazônica ganhe cada vez mais espaço no mundo.


“Quero continuar, com fé em Deus, sendo luz no caminho das pessoas que buscam conhecimento. Também quero espalhar a gastronomia amazônica — que é a essência da gastronomia brasileira — pelo mundo”, conclui.

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